Ruy deixa cargo de coordenação do Botafogo-PB e expõe desgaste com Lisca

Dois dias após ser campeão do Campeonato Paraibano de 2026 e quebrar um jejum de sete anos sem conquista, o Botafogo-PB já tem sua primeira turbulência para administrar.

É que na noite de segunda-feira (23), o coordenador de futebol Ruy Bueno, conhecido como Ruy Cabeção, postou em suas redes sociais um pronunciamento se desligando na função que exercia no Belo.

Desde a saída de Rodrigo Pastana do cargo de executivo de futebol, Ruy ganhou mais espaço e protagonismo, participando das relações entre elenco, comissão técnica e diretoria, palpitando em contratações e sendo responsável pelo dia dia na Maravilha do Contorno.

No entanto, a relação não era boa. Isso porque em sua nota de esclarecimento sobre os motivos para pedir demissão do cargo, o ex jogador de Fluminense, Cruzeiro e América-MG, entre outros clubes, deixou bem claro, mesmo nas entrelinhas, sem citar nomes, que não falava a mesma língua que o treinador Lisca.

Exaltando seu currículo de mais de 30 anos dentro do mundo do futebol e os 12 anos afastados após encerrar a carreira para fazer o curso de Direito, onde se formou, além de vários outros cursos de gestão e até se tornar faixa-preta de jiu-jitsu, segundo ele, Ruy Bueno criticou ações, que preferiu não revelar, de pessoas que são acostumadas a criar conflito por onde passam e que o mercado deixa esses profissionais de lado. Lisca passou 2025 inteiro sem trabalhar após a saída do América-MG no ano anterior.

– Essa vivência que me permitiu em quase 45 dias identificar com clareza, agir com precisão e contribuir de forma efetiva para a reconstrução e conquista do clube, e isso não pode e não será desmerecido por ninguém, principalmente por aqueles que, mesmo após décadas dentro do futebol, pouco ou nada construíram em termos de conquistas relevantes, ou que experimentaram a vitória de forma tardia, ou ainda por aqueles que se destacaram mais por criar conflitos do que por construir ambientes sólidos. Eu estive afastado do futebol por escolha própria. Usei esse tempo para me qualificar, me preparar e, acima de tudo, me reconstruir. Um verdadeiro processo de evolução, diferente de outros casos em que o afastamento não é escolha, mas consequência de um mercado que, naturalmente, deixa de absorver determinados perfis – disse em parte do pronunciamento.

Ruy prosseguiu deixando a entender que não era valorizado no vestiário e, mais uma vez, mencionou o fato de ter sido campeão diversas vezes em sua carreira. Lisca, por exemplo, venceu seu primeiro estadual em sua trajetória no futebol no último fim de semana, no Botafogo-PB.

– O futebol seleciona e a rádio-vestiário nunca falha e nunca falhará. Aos ex jogadores, deixo um recado claro, não permitam que desvalorizem a história de vocês. Quem foi campeão, quem viveu o vestiário, quem sentiu a pressão e soube vencer conhece o caminho, sabe o que fazer, quando fazer e como fazer. Muito diferente de quem passa anos no futebol sem nunca ter construído nada relevante – seguiu.

Por fim, Ruy Bueno agradeceu ao presidente Fillipe Félix e toda estrutura da SAF, funcionários da Maravilha do Contorno, elenco e a Comissão Técnica, mas deixando uma ressalva.

– (Agradeço) À Comissão Técnica, o meu respeito a todos, em especial aqueles que demonstraram caráter, transparência e postura nos momentos decisivos (…). Acredito na liderança pelo exemplo, pelo respeito e pela confiança, não pela imposição. O líder deve ser seguido, não obedecido, existe uma diferença enorme entre seguir e obedecer. Quem apenas obedece não está comprometido, está condicionado. E onde há apenas obediência, não existe liderança verdadeira. Liderança se constrói quando as pessoas lutam por você, por respeito, confiança e identificação, não por imposição – disse.

Sem executivo de futebol e agora o coordenador que estava exercendo essa função, a direção da SAF botafoguense deve ter que correr atrás de um profissional do futebol, que agora tem apenas o técnico Lisca com vivência profissional no esporte.

Equipe @Vozdatorcida